quarta-feira, 17 de abril de 2013

Mágico do Rio que ofendeu criança em vídeo será intimado a depor

O delegado José Otílio Bezerra, titular da 37ª DP (Ilha), vai intimar o mágico Rodrigo Valadares a depor nesta quarta-feira (17). Rodrigo é acusado por Tathiane Cristine Pereira de agredir verbalmente seu enteado de 6 anos durante uma festa em que ele fazia uma apresentação. A ofensa aconteceu diante de toda a plateia, inclusive de outras cinco crianças que também assistiam ao evento.

“Vou intimar o Rodrigo amanhã [quarta] e ele deve vir depor na quinta ou na sexta-feira. Também pedi para que a Tathiane venha à delegacia para contar melhor a história que está muito sucinta, preciso de complementos e preciso saber por que isto demorou a ser divulgado. O que posso adiantar é que a ficha do mágico é limpa. Pode ser que agora, depois dessa divulgação, apareçam novas histórias contra ele”, disse o delegado.

Procurado pelo G1, Rodrigo Valadares não retornou as ligações até a última atualização desta reportagem. Tathiane disse que ninguém a procurou para pedir desculpas nesta terça-feira (16) e que entrará até sexta com um processo contra o mágico.

Vídeo tem 120 mil visualizações
Além de registrar a ocorrência na delegacia, Tathiane publicou o vídeo de 2 minutos e 34 segundos na web (assista no YouTube) no dia 11 de abril e o compartilhou em redes sociais. Menos de uma semana de exposição na internet foi o suficiente para que os 12 segundos de descontrole do mágico resultassem em mais de 250 comentários de pessoas chocadas com a atitude de Rodrigo Valadares. Até noite de terça, o vídeo havia tido quase 120 mil visualizações.

Você nunca vai imaginar que num show de mágica alguém vá fazer isso com seu filho"
Tathiane Passos, madrasta
“Você nunca vai imaginar que num show de mágica alguém vá fazer isso com o seu filho. Porque nós convivemos há quatro anos e ele é como um filho para mim. Eu fiquei revoltada. Toda nossa família está abalada”, disse a organizadora de eventos.

Gritos e palavrões
No vídeo, o mágico Valadares pede a uma mulher da plateia que o ajude em um truque com cartas, que ele chama de “premonição”. A jovem levanta e vai até o mágico, que prossegue com o show.

Aos 2 minutos e 13 segundos, o menino de 6 anos, que está na plateia, tenta pegar a irmã de dois anos. Incomodado com o “barulho” causado pelas crianças, o mágico dispara dois palavrões. Depois, ele se aproxima do menino, demonstrando irritação, e grita no ouvido da criança outro palavrão, seguido de: “Moleque! Senta aí!”. Assustado, o menino reage, respondendo: “Ela é minha irmã, seu bobo!”. Enquanto o menino sai, o mágico sorri e diz para o público: “Psicologia infantil! Sempre funciona”.


Enquanto algumas pessoas riem, é possível ouvir a voz de um homem reclamando da atitude do mágico, que responde ironicamente: “Me processa, parceiro. Fica à vontade. Não tô nem aí”. A sugestão de reportagem foi enviada para o VC no G1.

Caso veio à tona 2 meses depois
O evento aconteceu no dia 2 de fevereiro em uma casa de festas na Ilha, mas Tathiane e o marido, pai das crianças, souberam das agressões apenas dois meses depois, quando tiveram acesso a um trecho da filmagem da festa.

“Tinha dois ambientes na festa. Nossa família estava num ambiente e o show de mágica acontecia no outro, mas as crianças pediram para ver a apresentação. Deixei as crianças lá, sentadinhas, e não vimos o que aconteceu. Só soubemos que algo de errado havia acontecido, quando a irmã do mágico veio me pedir desculpas pelo comportamento dele”, contou Tathiane, acrescentando que a mãe do mágico – que era a anfitriã da festa – também se desculpou com a família através de uma rede social.


Com as imagens em mãos, a família, que mora em Olaria, no Súburbio, procurou a 22ª DP (Penha). No entanto, o caso foi remetido à delegacia da área onde ocorreu: a 37ª DP (Ilha). O registro foi feito com base no artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente: “Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento”. A pena prevista é de seis meses a dois anos de detenção.

“Ele grita palavrões, não pode tratar uma criança assim. Tem que respeitar. É um constrangimento à criança e ele vai responder pela infração a esse artigo do ECA porque eu vou remeter o caso à Justiça”, afirmou ao G1 o titular da 37ª DP (Ilha), José Otílio Bezerra.

Fonte: G1

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