terça-feira, 12 de março de 2013

Garota passa por cirurgia no joelho e morre horas depois no PS de Cuiabá

Uma adolescente de 15 anos de idade morreu no domingo (10) após passar por uma cirurgia no joelho no Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (PSMC). A estudante Alessandra Xavier Matias tinha sofrido uma lesão no joelho na última sexta-feira e precisava apenas drenar a água que se acumulou no local, mas seu estado de saúde piorou logo após o procedimento, fato que a família atribui a suposta negligência por parte dos profissionais que a atenderam na unidade. A direção do PSMC se recusou a falar com a reportagem sobre o assunto.
Devido a um desnível no chão em sua casa no Bairro Carumbé, Alessandra sofreu uma queda e lesionou um dos joelhos na manhã de sexta-feira. A estudante, que cursava o 1° ano do Ensino Médio, suportou as dores e o inchaço até a noite de sábado, quando seu pai a levou para o PSMC. Lá, de início o médico responsável afirmou que seria necessário apenas drenar a água que havia se acumulado no joelho com uma seringa. Em seguida, requisitou um exame de sangue porque seria necessário, segundo ele, uma pequena cirurgia.
Logo pela manhã de domingo, a estudante foi encaminhada para o centro cirúrgico, onde foi operada por volta das 11h. Segundo o relato do pai, Altair Rodrigues Matias, logo após o procedimento sua filha saiu lúcida, mas, já no quarto ao lado da sala de cirurgia, a garota começou a ter acessos de tosse e não conseguiu comer as frutas que o pai lhe comprou. Uma enfermeira transferiu a garota às 14h para o repouso, onde ela continuou a apresentar reações como tosse e palidez até que vomitou sangue.
Segundo Altair, imediatamente Alessandra foi transferida para a unidade de terapia intensiva (UTI), onde sofreu um infarto. “Minha filha já chegou enfartando. Aí tentaram reanimá-la, mas não conseguiram”, conta.
Causa desconhecida“Eu acho que houve negligência, não houve?”, revolta-se o pai, lembrando que, desde que Alessandra saiu da sala de cirurgia, nenhum enfermeiro ou médico manteve-se a postos para acompanhar a garota, cujas tosses consideravam “normais” quando questionados.
“Eu falei com a enfermeira que falou que ela teve um probleminha e estava na sala de emergência. Eu desci, vim correndo. Quando eu cheguei lá, enquanto não falei que ia quebrar a porta, aí que veio o médico e falou que ela tinha morrido. Eles vieram falar era umas 20h, ela deve ter umas 19h”, relata a mãe, Geny Xavier, que falou com a filha pela última vez por telefone às 13h.
“Como que ela vai pra lá só com um negócio no joelho e morre?”, revolta-se Geny, lembrando que, na declaração de óbito expedida logo após o falecimento da filha, a causa da morte apontada é “desconhecida”. A família registrou um boletim de ocorrência na polícia logo após a morte de Alessandra.
“Ela ficou dois dias na casa do pai só sentindo dor e não aconteceu nada de mais com ela. Só foi ir para lá que ficou assim e aconteceu essa tragédia”, conta, revoltado, o namorado da estudante, Adevanir Santana Farias, de 18 anos. Durante o velório da garota, ele ainda lembrou que os médicos falharam ao verificar se a adolescente sofria de alguma alergia a substâncias anestésicas que lhe foram aplicadas antes da cirurgia, uma vez que a mãe de Alessandra sofre de mal parecido e muito provavelmente a filha também teria restrição a algum medicamento aplicado sem a devida averiguação. O pai da estudante também recorda que um médico chegou a lhe perguntar se a filha sofria de alguma alergia, ao que ele respondeu que ela mesma deveria ser consultada.
“Não tem motivo pra essa menina ter morrido por causa de uma cirurgia no joelho. A gente acredita que isso aí foi negligência. Não podia ter acontecido. Faltou cuidado e amor ao próximo por parte desses médicos, e aí ficou esse sofrimento para a família”, conta o tio Wilson Rosa de Castro, a quem foi negado ver o corpo da sobrinha na saída do PSMC antes de ir para o Instituto Médico Legal (IML), que deve conduzir exames complementares para apurar a causa da morte.
O corpo de Alessandra foi velado na tarde desta segunda-feira (11) na sede da Associação de Moradores do Bairro Bela Vista. Logo, seria sepultada no cemitério São Gonçalo. Procurada, a direção do PSMC se recusou a dar qualquer pronunciamento sobre o caso à reportagem do G1.
A presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM), Dalva Alves das Neves, informou que em casos como o da estudante, basta o episódio ser noticiado pela imprensa ou remetido em forma de denúncia para que seja investigado e, na sequência, seja apurada a conduta dos profissionais envolvidos.
 
Fonte: G1

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