sexta-feira, 17 de agosto de 2012

'Não faria isso nem com animais', diz mãe acusada de matar bebê, em GO


Presa há quase cinco meses na Casa de Prisão Provisória (CPP), a vendedora Andressa Prado de Oliveira, de 26 anos, alega inocência e chora ao lembrar do filho de 1 ano que morreu depois de ficar por quatro horas fechado dentro de um carro, no Setor Santa Luzia, em Aparecida de Goiânia. “Não fiz aquilo que as pessoas estão falando que eu fiz, que deixei ele lá para morrer de propósito. Não faria isso nem com animais, nenhum bicho merece isso”, declara a jovem, que responde por homicídio doloso.
Com autorização da Justiça e do advogado de defesa, o G1 entrevistou Andressa na CPP, nesta semana. Grávida de nove meses, ela diz não ter feito nenhuma avaliação médica desde que foi presa. “Não sei o sexo do bebê e nem como ele está. Inclusive, tenho tido muitos pesadelos preocupada com o estado dele”, afirma.
O advogado dela, José Patrício Júnior, informou ao G1 que fez o pedido de realização dos exames, mas não obteve resposta. “Solicitei para o juiz a requisição para ela sair e fazer todo tratamento de pré-natal, mas até agora esse pedido não foi atendido”, explica. Entretanto, a gerente de Saúde da Agência Goiana do Sistema de Execução Penal (Agsep), Renata Batista, garante que não recebeu o requerimento e explica que todas as gestantes da unidade recebem atendimento, independente do pedido.
"A Andressa está sendo acompanhada pela instituição desde o dia que ela chegou na carceragem. Temos um posto de saúde que funciona com plantões 24 horas por dia e, além disso, a unidade oferece atendimento de médicos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais da área da saúde. Ela fez há duas semanas todos os exames solicitados por um médico da CPP", garantiu Renata Batista.

Andressa Prado classifica como "muito difíceis" os dias na Casa de Prisão Provisória. “É impossível um dia que não lembro da morte do meu filho. Só tenho deitado e dormido. Só me levanto para ir ao banheiro. O que mais me dói é saber que ele nunca mais vai voltar”, lamenta.
Audiência

No último dia 30 de julho, a juíza substituta da 4ª Vara, Sílvia Amado Pinto Monteiro, começou a ouvir as testemunhas do caso, no fórum de Aparecida de Goiânia. No entanto, o procedimento não foi concluído porque algumas delas não compareceram na audiência de instrução.
Por causa das ausências, uma nova audiência foi marcada para o dia 28 deste mês. Nesta data, Andressa deve ser ouvida e, após os depoimentos das testemunhas, a juíza irá decidir se o julgamento vai ou não a júri popular.
O bebê José Ronaldo morreu no dia 27 de março deste ano, após ficar trancado por cerca de quatro horas dentro de um carro. Segundo a própria versão de Andressa, ela colocou o filho para brincar no veículo por volta das 9 horas e, após tomar um remédio para enjoo, se deitou. Ela teria acordado somente por volta das 13h, quando seu namorado, que não é o pai do bebê, a chamou e deu a notícia que a criança estava morta.

No dia seguinte à morte da criança, três testemunhas prestaram depoimento na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Aparecida de Goiânia e afirmaram que Andressa já havia tentado matar o filho outras vezes.
Promotoria

O G1 entrou em contato com 5ª Promotoria de Justiça de Aparecida de Goiânia, responsável por atuar na 4ª Vara Criminal, local onde serão realizadas as audiências das testemunhas e também da acusada Andressa Prado, mas segundo a secretária da promotora Renata Oliveira, ela estava em uma audiência, na quinta-feira (16) e, por isso, não poderia falar sobre o caso.

Confira abaixo trechos da entrevista:

Como você foi recebida pelas outras detentas?

Foi muito difícil. Não tive convívio por muito tempo e cheguei a ficar isolada, mas agora estou me adaptando ao meio delas.

Você diz que está sofrendo muito. O que mais te dói nessa história?
O que mais me dói é saber que meu filho nunca mais vai voltar. Eu lembro dele dando os primeiros passos e, se estivesse vivo, não iria demorar nem uma semana para ele começar a caminhar. Ele não tinha nem falado mamãe ainda.

Como você está após a primeira audiência?

Eu tenho muita esperança de que irá dá tudo certo. Não sou tudo aquilo que as pessoas estão falando, que deixei ele lá para morrer de propósito. Não faria isso nem com animais, nenhum bicho merece isso. Isso talvez foi um acidente ou uma negligência, mas não proposital.

Você confia em sua absolvição?

Confio na minha absolvição sim. Tenho muita fé em Deus porque das pessoas a gente pode esconder as coisas, mas dele não. Tenho fé de que ele vai me ajudar a não pagar por um crime que não cometi. Deus conhece meu coração e sabe quem eu sou.

Tem recebido apoio de sua família? Amigos?

Não tenho família e meus amigos são poucos. Fui abandonada pelos meus pais quando ainda era pequena e, com isso, acabei crescendo na casa dos outros e passando por humilhações. Foi por isso que fui buscar meu filho com a polícia em outro estado, pois ele estava com a família do pai. Sabia que meu filho poderia ser bem cuidado lá, mas não tinha a certeza disso. Queria ter ele por perto para fazer o que ninguém fez por mim quando eu era pequena.

Você está tendo contato com o seu namorado?

Ele é o único que me visita e está me dando a maior força agora. Já faz um bom tempo que estamos juntos.

Se for absolvida, quais são seus planos?

Eu quero seguir minha vida com o meu marido e criar meu filho com ele. Quero ter uma segunda chance de poder cuidar melhor desse bebê e fazer por ele o que não pude fazer pelo outro.
Fonte: G1

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